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julho 27, 2003
Exercício de cópia
"Não devia ter ido almoçar com ele. Acabo sempre por cair na ratoeira. Quando vou ter com ele convenço-me de que é como se fosse almoçar com um amigo qualquer. Já lá vai o tempo em que tremia dos pés à cabeça, ficava com a garganta seca e as mãos geladas. A idade tem destas vantagens. Agora é só uma ligeira e domesticada inquietude minutos antes do encontro, a vontade de estar aprazível aos seus olhos sem parecer que me arranjei de propósito para ele. E, quando pontualmente ele aparece, é como se o mundo inteiro deixasse de existir. Mesmo assim, já me domino e a minha atitude é sempre irrepreensivelmente moderada. Pelo menos dou o meu melhor. Ele pensa que eu me tornei numa pessoa calma. E se calhar até já sou. (...) Sempre soube que o João nunca esteve sequer apaixonado por mim e sempre desejei que isso um dia acontecesse. (...) Que estúpida! Passei o almoço inteiro a convencê-lo de que o meu casamento é aquilo que quero e despedi-me a lançar a rede, dizendo que um dia poderia ser namorada dele. (...) Não quis dar o braço a torcer, mas quando ele me perguntou se estava a dissertar para o convencer ou para me convencer a mim própria, fiquei desarmada. (...) Depois de estar com ele sinto-me indefesa, desarmada e, pior do que tudo, insegura".
in Pinto, Margarida Rebelo, não há coincidências, lisboa, oficina do livro, 2000, pp. 30-31.
Ai, querida Vera, como te compreendo...
Publicado por blond girl às julho 27, 2003 05:05 PM
Comentários
A Margarida Rebelo Pinto é uma moça, loura, que escreve uns livro?
Este post ainda não tinha sido comentado.
Há que tapar estes furos...
Publicado por: Quem é que anda aí? em julho 29, 2003 10:50 PM